Em crises, a desinformação espalha-se mais rápido que os factos

Informação falsa pode custar vidas. Rumores sobre zonas de evacuação erradas, falsos alertas de réplicas de sismos ou curas milagrosas durante pandemias já tiveram consequências reais em Portugal e no mundo. Verificar antes de partilhar é um ato de responsabilidade.

O problema

Porquê em emergências?

Em momentos de pânico e incerteza, informação falsa circula rapidamente nas redes sociais. As pessoas estão mais vulneráveis emocionalmente, com menos tempo para verificar factos e mais propensas a partilhar conteúdo alarmista.

  • Imagens antigas são recicladas e apresentadas como atuais
  • Números são exagerados ou fabricados
  • Rumores tornam-se "notícias" em minutos
  • Contas falsas exploram o medo para ganhar seguidores ou dinheiro

Consequências reais

A desinformação em emergências não é apenas incómoda. Pode ter consequências graves:

  • Evacuações erradas: pessoas que fogem para zonas de perigo por seguirem informação incorreta
  • Pânico desnecessário: corridas a supermercados e combustíveis por falsos alertas
  • Fraudes: donativos desviados para contas falsas
  • Perda de confiança: quando tudo parece falso, as pessoas deixam de acreditar nos alertas reais

Fontes oficiais em Portugal

ANEPC (Proteção Civil)

  • Alertas de emergência e evacuação
  • Comunicados oficiais sobre catástrofes
  • Situação operacional em tempo real
  • prociv.pt

IPMA

  • Alertas meteorológicos oficiais
  • Informação sísmica (sismos registados)
  • Previsões e avisos climáticos
  • ipma.pt

DGS

  • Saúde pública e epidemias
  • Orientações sanitárias oficiais
  • Informação sobre qualidade da água e alimentos
  • dgs.pt

GNR e PSP

  • Segurança e ordem pública
  • Informação sobre trânsito e estradas cortadas
  • Zonas interditas e perímetros de segurança
  • Comunicados nas redes sociais verificadas

Autarquias locais

  • Câmaras municipais e juntas de freguesia
  • Informação local sobre abrigos e apoios
  • Cortes de água, estradas e serviços
  • Sites oficiais e redes sociais da autarquia

RTP / Antena 1

  • Serviço público de comunicação de emergência
  • Antena 1: 95.7 FM (Lisboa), cobertura nacional
  • Canal de referência para comunicação oficial em crise
  • rtp.pt

Como verificar informação

Verificar a fonte

  • Site oficial? Verificar se o URL é o domínio real da organização (.gov.pt, .pt)
  • Jornalista credível? Verificar se o autor é identificável e pertence a um órgão de comunicação reconhecido
  • Conta verificada? Nas redes sociais, preferir contas com selo de verificação
  • Domínio suspeito? Sites com nomes parecidos mas diferentes dos oficiais são frequentemente falsos

Cruzar e confirmar

  • Duas ou mais fontes: cruzar a informação com pelo menos 2 fontes independentes
  • Urgência extrema: desconfiar de mensagens com "partilha JÁ!" ou "estão a esconder isto!"
  • Verificar a data: conteúdo antigo reciclado e apresentado como atual é muito comum
  • Pesquisa inversa de imagens: usar Google Images ou TinEye para verificar se uma foto é antiga ou de outro local
  • Ler além do título: muitas vezes o título é sensacionalista e não reflete o conteúdo real

Redes sociais em crise

Boas práticas

  • Não partilhar sem verificar: a regra mais importante. Se não tem a certeza, não partilhe
  • Seguir contas oficiais: ANEPC, IPMA, DGS, GNR, PSP, câmaras municipais
  • Silenciar ou denunciar: reportar conteúdo falso às plataformas
  • Cuidado com capturas de ecrã: são fáceis de manipular e impossíveis de verificar contexto

Sinais de alerta

  • Contas recentes: perfis criados há poucos dias que já publicam "informação urgente"
  • Sem fontes: publicações que não indicam de onde vem a informação
  • Emoção extrema: linguagem que apela ao medo, raiva ou pânico
  • Partilhas em massa: mensagens com "envia a todos os teus contactos"
  • Áudios virais: mensagens de voz de "fonte segura" sem identificação

Exemplos de desinformação em Portugal

Incêndios florestais

  • Imagens de incêndios de outros países partilhadas como sendo em Portugal
  • Vídeos antigos reciclados durante cada verão
  • Teorias da conspiração sobre fogo posto sem fundamento
  • Informação falsa sobre zonas de evacuação

Sismos

  • Falsas previsões de "grande terramoto" partilhadas em cadeia
  • Sismos não são previsíveis. Qualquer previsão com data é falsa
  • Imagens de destruição de outros países apresentadas como sendo em Portugal
  • Falsos alertas de tsunami após sismos pequenos

Pandemias

  • "Curas milagrosas" sem base científica
  • Falsa informação sobre medicamentos e vacinas
  • Teorias da conspiração sobre a origem de doenças
  • Números falsos de casos e mortes

Recursos de fact-checking

Plataformas de verificação de factos