Fuga de gás é emergência imediata

NÃO acenda fósforos, isqueiros ou velas. NÃO ligue nem desligue interruptores de luz. NÃO use o telemóvel dentro de casa. Abra as janelas, feche a válvula do gás, saia imediatamente e ligue 112 do exterior.

Tipos de gás em Portugal

Gás natural canalizado

  • Composição: predominantemente metano (CH4), distribuído por rede canalizada
  • Mais leve que o ar: em caso de fuga, o gás natural sobe e acumula-se junto ao teto
  • Odor adicionado: é inodoro naturalmente, mas é-lhe adicionado mercaptano (cheiro a ovo podre) para deteção
  • Explosivo: concentrações entre 5% e 15% no ar podem explodir com uma faísca
  • Distribuição: disponível nas maiores cidades portuguesas (Lisboa, Porto, Braga, Setúbal, Aveiro, entre outras)

GPL (garrafas de butano/propano)

  • Composição: butano (uso interior) ou propano (uso exterior e grandes instalações)
  • Mais pesado que o ar: o GPL desce e acumula-se ao nível do chão e em caves. Isto torna-o particularmente perigoso
  • Odor adicionado: tal como o gás natural, tem mercaptano adicionado
  • Garrafas: garrafas de 13 kg (butano) e 45 kg (propano) são as mais comuns em Portugal
  • Armazenamento: nunca guardar garrafas de gás em caves, garagens fechadas ou locais sem ventilação

Sinais de fuga

O que detetar

  • Cheiro a mercaptano: cheiro forte a ovo podre ou a enxofre. O sinal mais comum e fiável
  • Assobio ou sopro: som de gás a escapar de uma ligação, tubo ou válvula
  • Bolhas: aplicar água com sabão nas ligações. Se borbulhar, há fuga
  • Chama irregular: se a chama do fogão está amarela em vez de azul, há combustão incompleta

Sinais menos óbvios

  • Plantas que morrem: plantas de interior que morrem sem razão aparente podem indicar fuga de gás crónica
  • Condensação excessiva: janelas constantemente embaciadas podem indicar combustão incompleta
  • Cheiro persistente: se sente cheiro de gás frequentemente, mesmo que breve, chame um técnico
  • Tonturas ou dores de cabeça: sintomas recorrentes podem indicar exposição crónica a baixas concentrações

O que fazer IMEDIATAMENTE

Ações imediatas em caso de fuga de gás

  • 1. NÃO provocar faíscas: não acender nada, não ligar nem desligar interruptores, não usar telemóvel dentro de casa
  • 2. Abrir janelas e portas: criar ventilação cruzada para dispersar o gás. Abrir o máximo de janelas possível
  • 3. Fechar a válvula do gás: no contador (gás natural) ou na garrafa (GPL). Rodar no sentido dos ponteiros do relógio
  • 4. Sair de casa: evacuar todos os ocupantes, incluindo animais. Fechar a porta (sem trancar) ao sair
  • 5. Ligar 112 do exterior: só depois de sair do edifício, ligar para o 112 e informar sobre a fuga
  • 6. Afastar-se do edifício: manter distância segura (mínimo 50 metros) e alertar os vizinhos
  • 7. Não voltar a entrar: esperar pelos bombeiros ou técnicos para confirmar que é seguro

O que NUNCA fazer durante uma fuga de gás

  • Telemóvel: nunca usar o telemóvel dentro de casa ou perto da fuga. A eletrónica pode criar faíscas
  • Isqueiros ou fósforos: nunca tentar localizar a fuga com chama. Uma faísca pode causar explosão
  • Interruptores: nunca ligar ou desligar luzes, ventiladores, exaustores ou qualquer equipamento elétrico
  • Campainha: não tocar em campainhas elétricas. Bater na porta dos vizinhos
  • Elevador: nunca usar o elevador durante uma fuga de gás
  • Fumar: não fumar nas imediações do edifício

Prevenção

Manutenção obrigatória

  • Revisão anual: toda a instalação de gás deve ser inspecionada anualmente por um técnico certificado
  • Inspeção obrigatória: a inspeção periódica por entidade credenciada é obrigatória a cada 5 anos para gás natural e a cada 10 anos para GPL
  • Tubos flexíveis: substituir os tubos de borracha a cada 5 anos (verificar a data gravada no tubo)
  • Válvula de segurança: instalar válvula de corte automático na entrada do gás

Boas práticas diárias

  • Ventilação: manter sempre ventilação adequada na cozinha e divisões com equipamentos a gás
  • Não bloquear grelhas: nunca tapar as grelhas de ventilação, mesmo no inverno
  • Fechar o gás: fechar a válvula do gás quando sair de casa por períodos prolongados e durante a noite
  • Garrafas: manter as garrafas de GPL na vertical, em local ventilado, longe de fontes de calor
  • Chama de supervisão: não deixar equipamentos a gás a funcionar sem supervisão

Intoxicação por monóxido de carbono (CO)

O monóxido de carbono é diferente de uma fuga de gás. É produzido pela combustão incompleta de gás, lenha, carvão ou gasóleo. É incolor e inodoro, o que o torna extremamente perigoso.

Fontes de CO em casa

  • Esquentadores e caldeiras: equipamentos mal mantidos ou com ventilação insuficiente
  • Lareiras e salamandras: chaminé obstruída ou mal dimensionada
  • Braseiras: uso em espaços fechados, uma das principais causas de morte por CO em Portugal
  • Geradores: nunca usar geradores a gasolina dentro de casa ou em garagens fechadas
  • Churrasqueiras: nunca usar dentro de casa ou em espaços fechados

Sintomas de intoxicação

  • Leves: dor de cabeça, tonturas, náuseas, fadiga (confundidos com gripe)
  • Moderados: confusão mental, visão turva, dificuldade em coordenar movimentos, vómitos
  • Graves: perda de consciência, convulsões, paragem cardiorrespiratória
  • Sinal de alerta: se várias pessoas na mesma casa têm os mesmos sintomas em simultâneo, suspeite de CO
  • Ação imediata: abrir janelas, sair de casa, ligar 112. Se a vítima estiver inconsciente, iniciar suporte básico de vida

Detetores de gás

Detetor de gás natural

  • Instalação: junto ao teto (o gás natural é mais leve que o ar e sobe)
  • Localização: na cozinha e junto ao contador de gás
  • Distância: a 1-2 metros do equipamento a gás, nunca diretamente por cima do fogão
  • Alarme: emite sinal sonoro quando deteta concentrações perigosas

Detetor de GPL

  • Instalação: junto ao chão (o GPL é mais pesado que o ar e desce)
  • Localização: a 10-30 cm do solo, perto da garrafa de gás ou fogão
  • Caves e garagens: se armazenar GPL nestes locais (não recomendado), instalar detetor junto ao solo

Detetor de CO

  • Instalação: à altura dos olhos (1,5 m), pois o CO tem densidade semelhante ao ar
  • Localização: no corredor junto aos quartos, na sala se tiver lareira, junto a esquentadores
  • Validade: substituir a cada 5-7 anos (verificar as instruções do fabricante)
  • Essencial: se usa braseira, lareira ou esquentador, o detetor de CO pode salvar-lhe a vida

Contactos de emergência

Números úteis em caso de fuga de gás

  • 112: Número europeu de emergência (bombeiros, INEM, polícia)
  • Bombeiros locais: consultar o número do quartel da sua área
  • Distribuidora de gás natural: contactar a distribuidora da sua zona (Galp Gás Natural, Lisboagás, Portgás, Beiragás, etc.)
  • Proteção Civil: 800 246 246 (linha gratuita)
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