As tempestades atlânticas são uma ameaça real

Entre outubro e março, Portugal é regularmente atingido por depressões atlânticas que trazem ventos destrutivos e precipitação extrema. Nos últimos anos, tempestades como Leslie, Elsa e Nelson causaram mortes, cortes de energia e milhões de euros em danos. A preparação é a melhor defesa.

Tipos de tempestades em Portugal

Depressões atlânticas

O tipo mais comum em Portugal. Formam-se no Atlântico Norte e atingem o continente entre outubro e março, trazendo:

  • Chuva intensa e prolongada (pode ultrapassar 100 mm em 24 horas)
  • Ventos fortes a muito fortes (rajadas acima de 100 km/h no litoral)
  • Agitação marítima com ondas de 6 a 12 metros
  • Risco elevado de inundações e deslizamentos de terra

Ciclones extratropicais

Depressões particularmente intensas que podem trazer ventos de força de furacão ao continente:

  • Rajadas superiores a 150 km/h em casos extremos
  • Podem provocar marés de tempestade na costa
  • Duração típica de 12 a 36 horas
  • Danos estruturais significativos em edifícios e infraestruturas

Trovoadas severas

Mais frequentes na primavera e verão, especialmente no interior:

  • Relâmpagos (Portugal regista milhares por ano)
  • Granizo, por vezes com pedras de grande dimensão
  • Chuva torrencial em curtos períodos (cheias rápidas)
  • Vento forte súbito (microbursts)

Tornados

Sim, ocorrem em Portugal. São relativamente raros mas podem ser destrutivos:

  • Zonas mais afetadas: Alentejo, Ribatejo e litoral
  • Tipicamente de intensidade F0 a F2 (na escala Fujita)
  • Frequentemente associados a linhas de instabilidade severas
  • Em 2022, um tornado F2 causou danos significativos em Palmela

Escala de vento simplificada

Forte (>75 km/h)

  • Ramos partem-se
  • Difícil caminhar contra o vento
  • Objetos soltos voam
  • Condução com dificuldade

Ação: recolher objetos do exterior, evitar deslocações desnecessárias.

Muito forte (>100 km/h)

  • Árvores arrancadas
  • Telhas e antenas arrancadas
  • Danos em estruturas ligeiras
  • Condução perigosa

Ação: ficar em casa, afastar-se de janelas, não conduzir.

Violento (>120 km/h)

  • Destruição generalizada
  • Telhados arrancados
  • Fachadas danificadas
  • Extremamente perigoso

Ação: ir para divisão interior, piso térreo. Não sair em circunstância alguma.

ANTES: Preparação para tempestades

Proteger a casa e o exterior

  • Objetos exteriores: recolher ou fixar mobília de jardim, vasos, trampolins, toldos
  • Árvores: podar ramos perto da casa e de linhas elétricas
  • Caleiras e drenos: limpar regularmente para evitar entupimentos
  • Telhas e janelas: verificar estado, reparar fissuras ou peças soltas
  • Estacionar: longe de árvores, postes e muros altos

Preparação pessoal

  • Carregar dispositivos: telemóveis, powerbanks, lanternas recarregáveis
  • Encher recipientes de água: pode haver cortes no abastecimento
  • Verificar alertas do IPMA: consultar alertas meteorológicos
  • Preparar mochila de emergência: ver guia
  • Informar família: combinar plano para cenários de evacuação ou corte de comunicações
  • Medicação: garantir stock para vários dias

DURANTE: O que fazer na tempestade

Segurança em primeiro lugar

  • Ficar dentro de casa, afastado de janelas e portas de vidro
  • Se o vento for muito forte: ir para uma divisão interior no piso térreo
  • NÃO usar elevadores: risco de corte de energia
  • Trovoada: não usar telefone fixo, não tomar banho (tubagens conduzem eletricidade)

Se estiver a conduzir

  • Reduzir velocidade e aumentar distância de segurança
  • Evitar zonas alagadas: 15 cm de água bastam para perder o controlo (ver inundações)
  • Se a visibilidade for nula: encostar em local seguro e ligar as luzes de emergência
  • Cuidado com ramos e detritos na estrada
  • Não atravessar pontes expostas com vento forte

Se estiver no exterior

  • Procurar abrigo sólido (edifício, não estaleiro ou estrutura leve)
  • Evitar árvores, especialmente eucaliptos e pinheiros (raízes superficiais)
  • Evitar estruturas metálicas e vedações
  • Evitar topos de colinas e zonas expostas
  • Relâmpagos: se for apanhado ao ar livre, agachar-se na posição mais baixa possível, sem se deitar no chão. Evitar água, árvores isoladas e objetos metálicos

DEPOIS: Após a tempestade

Perigos pós-tempestade

  • Linhas elétricas caídas: manter distância mínima de 10 metros. NUNCA tocar
  • Verificar estrutura da casa antes de entrar (telhas soltas, fissuras, portas encravadas)
  • Árvores parcialmente caídas: podem cair a qualquer momento, manter distância
  • Inundações: a água pode continuar a subir horas após a chuva parar

Recuperação

  • Documentar danos: fotografar tudo para participação ao seguro
  • Limpar detritos com cuidado: usar luvas e botas, atenção a pregos e vidros
  • Verificar vizinhos: especialmente idosos e pessoas com mobilidade reduzida
  • Reportar danos: contactar a câmara municipal e a proteção civil local
  • Seguro: reportar ao seguro dentro do prazo (geralmente 8 dias)

Histórico: tempestades recentes em Portugal

Tempestade Leslie (2018)

  • Ciclone pós-tropical que atingiu Figueira da Foz em outubro
  • Rajadas superiores a 170 km/h
  • Mais de 300.000 pessoas sem eletricidade
  • Centenas de árvores arrancadas e telhados danificados

Tempestade Elsa (2019)

  • Depressão Elsa atingiu Portugal em dezembro
  • 1 morte e dezenas de desalojados
  • Inundações severas em Lisboa e no sul
  • Vento forte com rajadas acima de 120 km/h

Depressão Nelson (2023)

  • Chuva intensa em abril no norte e centro
  • Inundações severas no Porto e Braga
  • Deslizamentos de terra em zonas montanhosas
  • Centenas de ocorrências em poucas horas

Números úteis

Contactos de emergência

  • 112: Número europeu de emergência
  • Proteção Civil: 800 246 246
  • IPMA: ipma.pt (alertas meteorológicos)
  • E-REDES (eletricidade): 800 506 506
  • Antena 1: 95.7 FM (Lisboa), fonte de informação oficial
  • Todos os contactos de emergência